Nos derretemos com meia dúzia de bonitas palavras e frases de efeito. É claro, a gente adora um romance. Nosso livro de cabeceira é Drummond, nossa música é Djavan, nosso conselheiro é Chico. Mas olha, cá pra nós, forçando a barra não rola. Romantismo gratuito não convence nem um pouco, porque na verdade, não importa muito o que é dito. O que importa mesmo é quem diz.
Imagine aquele seu ex-rolo-mal-resolvido te dizendo que é apaixonado por você e que ele daria tudo pra ter você de volta na vida dele. Agora imagine o seu atual-rolo-mal-resolvido cantando “mina, seu cabelo é da hora, seu corpo é um violão”. Na teoria, o que convence? Não preciso nem ouvir a resposta. Mas na prática a história é outra, meu bem. Qualquer coisa que o carinha que a gente tá afim fale, é fofinho. Decoramos tudo o que ele falou, nos mínimos detalhes, e repassamos pras nossas amigas, com a mesma concordância, pontuação, intonação, e até com as mesmas caras e bocas. Engraçado é ver a cara das amigas. A gente até sabe que na verdade foi uma grande merda, mas não importa muito.
Não adianta, se a gente não tá afim, qualquer coisa que for dita, por mais romântico que seja, vai entrar por um ouvido e sair por outro. Não adianta perder tempo recitando Drummond, decorando a discografia de Djavan, nem procurando ajuda nos conselhos de Chico. Meu bem, se você não se chamar Drummound ou Djavan ou Chico ou Atual-rolo-mal-resolvido, desista.
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