
* E ninguém conhece ele melhor do que eu. rs
Cabelos cautelosamente organizados, calça skinny ajustada ao corpo, camisas estampadas com lendários do rock, dezenas de tatuagens espalhadas pelo corpo, além de um avantajado alargador de orelhas de doze milímetros de largura. Essa descrição se adequaria perfeitamente a muitos adolescentes rockeiros da nova geração. Mas eu falo de um em específico. Na verdade, ele é um jovem de 26 anos, em quem a garotada da atualidade se inspira.
O seu nome de batismo é Lucas Cesar Lima Silveira, mas ainda garoto ficou conhecido por Paraíba, apelido colocado por seus colegas de escola. E para quem está se perguntando, ele não é paraibano. Na verdade, ele é cearense, mas mudou-se com sua família para o Rio Grande do Sul quando ainda era bebê, e acabou se naturalizando. Seu sotaque gauchense o denuncia.
Filho de pai cantor e compositor, Lucas sempre teve contato com a música. Adorava reunir os amigos parar tirar uns sons bacanas. O estilo mais tocado era o pagode, e era ele quem comandava a roda cantando e tocando cavaquinho. “As gurias adoravam”, relembra. Mas sua experiência como pagodeiro foi apenas diversão. O que de fato balançava o seu coração era o bom e velho rock’n’roll. E foi em 1999 que Lucas decidiu montar uma banda, intitulada de Os Democratas, com seus amigos Pedro Cupertino, Gustavo Mantovani e Bruno Teixeira.
Os Democratas era um sucesso nos festivais que aconteciam em Porto Alegre. Sempre pintava uma oportunidade legal para a banda. Mas foi com o novo nome que Os Democratas alcançou o sucesso nacional. A Fresno, como hoje é conhecida, foi uma primeiras bandas a difundirem o estilo musical emocore, ou rock melódico, se preferirem.
Ao todo, a Fresno lançou cinco cds, sendo três gravados de maneira independente, e dois gravados pelo Arsenal, atual gravadora, e um dvd. Apesar do sucesso, Lucas continua com a mesma humildade e brilho nos olhos que na época em que tocava pagode no pátio do colégio. Com seu jeito moleque, conduz com leveza a banda, alternando com a seriedade e profissionalismo que possui.
Desbancando o estereótipo de que todo rockeiro é vagabundo, Lucas sempre foi muito estudioso. Chegou a cursar Publicidade e Propaganda na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas trancou no último período para se dedicar a banda. Não restava dúvidas de que sua vocação era realmente a música. Dedicou-se então ao canto e as composições. Não sendo suficiente, ainda arrebenta na guitarra, no baixo, no teclado e no piano. O dom corre em suas veias. Realmente ele herdou do pai, Nilo Cesar, apesar de ter convivido pouco com ele.
Que ele possui milhares de fãs, não preciso nem dizer. Não há uma faixa etária específica, mas uma coisa é certa, a maioria do seu público é composto por garotas. Além de suas composições abordarem situações amorosas, o que derrete a mulherada, ele é altamente estiloso e esbanja carinho e simpatia. Lucas é um exemplo de rockeiro do bem. E quem é que resiste? Mas apesar dos seus inúmeros admiradores, há quem critique o modo como ele faz rock. Sua composições melancólicas e seu jeito metódico de se vestir, incomoda os que defendem o estilo estudunidense mais tradicional. “No começo, eu sofria e pensava se isso só acontecia com a gente, mas acredito que muitos já passaram por isso”, afirma.
E se vocês pensam que essas críticas o incomodam, estão muito enganados. Lucas tem a certeza de que seu trabalho é muito bem feito. Até porque, convenhamos, grandes nomes da música como Sandy e Júnior, Chitãozinho e Xororó, Roupa Nova e Biquine Cavadão, demonstraram através de algumas parcerias o quanto seu trabalho vem sendo reconhecido. E pra ele ou pra qualquer outro músico, isso é impagável.
No dia 1º Abril, deste ano, ele lançou seu primeiro cd solo, referente ao projeto Beeshop, o The Rise and Fall of Beeshop. O cd contou com a produção artística de Rick Bonadio, que deu total liberdade à Lucas em intervir na produção. O cd acabou adquirindo características intimistas, revelando as influências musicais do vocalista, além de ter como promessa a sua consagração definitiva na quebra do estereótipo de “vocalista de banda emo”.
Com uma proposta inovadora em relação à linha musical na qual estava acostumado a trabalhar, Lucas gerou curiosidade na mídia, com excessão dos fãs, que já acompanhavam a brincadeira do músico pela internet. A propósito, foi graças aos fãs que o projeto ultrapassou os limites virtuais, e ganhou uma proporção maior do que o músico imaginava. O Beeshop já era sucesso entre os seguidores da Fresno, mas a aceitação do público que não acompanhava o seu trabalho está sendo incrível.
O cd possui treze faixas, sendo todas escritas em inglês. Lucas começou a compôr suas canções em 2006, totalizando um número bem maior que a quantidade de músicas presentes no cd. A seleção foi feita com cautela, na tentativa de agradar ao público que já possuía certa intimidade com o projeto. Infelizmente, a seleção deixou de fora músicas como “Suicide Girl” e “The Famous Italian Dairy Brand”, que já faziam sucesso em seu myspace.
O The Rise and Fall Of Beeshop é uma verdadeira mistura melódica e instrumental, temperada com boas pitadas dos Beatles e umas colheradas do Queen. O cd é marcado pela doçura do violão, a delicadeza do piano e a alegria dos efeitos sonoros, deixando-o singular. Há quem compare o trabalho da banda inglesa Cold Play, ou com o trabalho do cantor norte-americano John Meyer, mas a verdade é que o Beeshop trata-se do alter-ego de Lucas, como o próprio diz.
Lucas não tem presensão em seguir carreira solo no momento. Ele acredita que a Fresno está em sua melhor fase, e ainda há muita coisa boa pra conquistar junto com a banda. O projeto tornou-se um refúgio, da qual ele se desliga um pouco da pressão exercida pela gravadora. O Beeshop possui leveza e independência. Não há urgência nem necessidade em fazer grandes turnês e vender milhões de cópias do cd. O objetivo maior é divulgar seu trabalho como músico, quebrando pré-conceitos de maneira simples e verdadeira.
E ele segue brincando, com relação ao seu futuro, quando a banda não existir mais. “Se um dia acontecer de a banda não dar certo, por alguma razão, vou para a gringa tocar violão, vou falar com os caras e vou conseguir de alguma forma. É uma fé meio arrogante, mas vou, porque afinal não tenho um plano B.” Mas isso é um assunto pra ser tratado em espaço de tempo bem distante. Ele ainda tem muito o que conquistar.
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