
Um dos casos ocorreu no ano de 1997, quando a princesa Diana e seu amante Dodi Al-Fayed morre num acidente de carro em Paris. Na época, há quem culpasse os paparazzi e meios de comunicação pela morte de Lady Di, por participarem ativamente do sensacionalismo ambiente, mas que atire a primeira pedra o jornalista da época, por mais sério e compromissado com a sociedade, que não tenha escrito um artigo sobre o ligamento de Dodi com a princesa. O fato é que Diana se tornou uma das principais heroínas da mídia people. “Princesa triste”, apesar de ter tido tudo que uma pessoa precisa para ser feliz, foi abandonada pelo marido, rejeitada pela sogra, mas depositou em seus filhos e na humanidade o seu amor que fora renegado. Segundo o autor Ignácio Ramonet, o que ocorreu na mídia com o caso da princesa foi um curto-circuito midiático, que trata-se do repentino acesso de uma personalidade people, seja de telenovela ou de folhetim, ao status de personalidade digna de destaque na imprensa séria e de referência nacional/internacional Esse curto-circuito acabou afetando toda a mídia, seja uma imprensa popular ou de grande destaque mundial.

O outro caso ocorreu no ano de 1998, quando o presidente dos Estados Unidos foi acusado de estar envolvido com uma ex-estagiária da Casa Branca, desencadeando mais uma vez uma crise de paranóia comunicacional sem controle. A mídia, por sua vez, se encontrava numa dupla crise. Em primeiro lugar, uma considerável perda de audiência. Em segundo lugar, uma considerável perda de credibilidade. O resultado foi a briga pela exclusividade, devido a pressão da concorrência. A imprensa, por mais tradicional que fosse, foi forçada a continuar dando cobertura ao caso, para que a audiência continuasse alcançando números elevados.
Segundo o autor, essa revolução da mídia se deu graças a dois parâmetros que exercem uma influência determinante sobre a informação: o mimetismo midiático e hiperemoção. O mimetismo é a urgência em cobrir algum acontecimento, no intuito de garantir a informação antes dos demais veículos, e receber o reconhecimento sobre a sociedade. Nessa atitude de precipitação, ocorre o efeito chamado bola-de-neve, que é o estímulo, a curiosidade que gera nos demais, em levar a mesma informação para o público, ainda mais detalhada. A hiperemoção é a verdade que é garantida em cima da verdade que é acreditada pelo público. “Se a emoção que vocês sentem ao ver o telejornal é verdadeira, a informação é verdadeira”. Logo, isso trouxe credibilidade a informação, seja lá qual for.
Ignácio conclui que a principal consequencia do mimetismo midiático e da hiperemoção é que o planeta parece preparado para o aparecimento de um “messias midiático”. Alguém que anseia em mudar o mundo, fazendo uma verdadeira evolução radical sem nenhuma revolução. Quem sabe uma espécie de “ Diana e Madre Teresa, de João Paulo II e de Gandhi, de Clinton e de Ronaldo”, como o próprio cita.
* Baseado no livro 'A Tirania da Comunicação', de Ignácio Ramonet.
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