sábado, 13 de junho de 2009

A Palavra sem Eros.


A qualidade da programação é determinada pela audiência? Ou a audiência determina a qualidade da programação?
A televisão brasileira já teve sua qualidade reconhecida dentro e fora do Brasil. A TV aberta era tida como um veículo de aprendizagem, por conter um grande número de informações úteis. Ao longo dos anos, os programas de tv foram perdendo a essência, substituindo um bom conteúdo por atrativos de pouca relevância. Subestimando o nível intelectual dos telespectadores, programas ditos como talk shows passaram a deixar o diálogo em segundo plano, dando um maior espaço aos quadros de entretenimento. Um exemplo bem claro desse fenômeno ocorreu com Jô Soares, que apresentava talk show, mas aos poucos, seu programa foi vestindo uma nova roupagem, ganhando uma nova forma, e hoje é um exemplo claro dessa mesclagem entre conteúdo e entretenimento.
Essas mudanças teriam sido consolidadas pela insegurança das emissoras em relação a audiência. A palavra foi perdendo o seu valor, trocando diálogos com temáticas polêmicas e inteligentes, por temáticas fúteis e com o uso excessivo de palavras de baixo escalão. Aposta-se na mediocridade do espectador. É bem mais fácil acreditar que uma maneira infalível de erotizar os espectadores seria falando de genitais, por exemplo.
Talvez considerar um programa como de boa qualidade, seja algo bastante relativo. O que é bom para alguns, não é bom para outros. Infelizmente, ainda há pessoas que preferem assistir uma programação sem conteúdo, mas há os que não abrem mão da informação que pode ser adquirida através da televisão. E é por essas pessoas que anseiam em ver a palavra sendo exposta com inteligência e prudência, que as emissoras deveriam se empenhar em melhorar cada vez.

baseado em um artigo do livro "O Afeto Autoritário: TV, Ética e Democracia"

2 comentários:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

O sistema de televisão brasileira se afogou na própria premissa capitalista. A busca pela receita do dinheiro certo, a fórmula mágica. Infelizmente, não há aplicabilidade para essa fórmula quando as pessoas que trabalham atrás do palco se acomodam. Além disso, a resolução dessa questão está fora da própria televisão, quando ninguém lê, todo mundo começa a pensar igual e quando isso acontece é porque ninguém tá pensando em nada. O fim é a obsolência, triste desfecho para uma criação tão grandiosa.